quinta-feira, 15 de junho de 2023

A Moral de Oda em One Piece - parte 1 (Liderança e Racismo)

             Não há vergonha em alguém falar que gosta de desenhos, animes e mangás nos dias de hoje. Adultos falam isso em qualquer roda de amigos e não causa estranheza alguma. Afinal, os filmes de Super-Heróis (DC e Marvel) são tão bem feitos e tem tão milionário orçamento que o produto final é sempre uma película de "tirar o chapéu". Quanto aos Animes e Mangás, eles nunca tiveram tantos títulos e tanta liberdade criativa quanto nos tempos atuais. Antigamente, era uma dificuldade pra encontrar e comprar algum mangá numa banca de revistas de Teresina, por exemplo, ou assistir algum OVA se não fosse transmitido na TV aberta (tempos difíceis mesmo).
            Naqueles tempos de trevas (talvez até hoje), as pessoas tinham enorme dificuldade de entender o porquê que a gente gostava tanto destas histórias em quadrinhos. A verdade é que as histórias de heróis sempre fascinaram o público masculino (sem preconceito com as mulheres, mas a nossa psiquê sempre tendeu mais à necessidade de nascer especial, ser corajoso, ser um herói, moldar e ajustar os erros do mundo apenas com a força dos braços). Logo, histórias em quadrinhos e mangás sempre priorizavam este público, embora houvessem excelentes Animes como "Sailor Moon", filmes legais da heroína "Patrine" na antiga Tv Manchete e as séries como a que me deixou apaixonado pela "Xena, a princesa guerreira" no Sbt .
           Sou desta geração que comprava revista e escondia de todo mundo pra não ser considerado um idiota completo. Mas gostava tanto, que colecionei tudo o que pude por 16 anos, tendo muito material de 1997 a 2013. De lá para cá, somente títulos mais avulsos. Comecei comprando revistas do Batman a R$ 2,50 e, quando já estavam todas na casa dos R$ 20 e poucos, tive que selecionar melhor o que comprava. Sinceramente, me cansei de gastar muito dinheiro com histórias ruins, divididas em vários capítulos e não-canônicas (sem falar as que estragavam minha admiração pelos personagens, nunca perdoarei).
        Enfim, vamos ao que interessa. O que sempre me fascinou nestas histórias, além de enredo e traços (Mestre Shingo Araki, como você era foda! O anime de CDZ virou outro com você) era a moral da história.

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             A Moral dos desenhos sempre foi seu ponto forte, assim como as fábulas buscam ensinar e levar a reflexão sobre assuntos sérios. Víamos os "Conselhos de He Man" ao final de suas histórias, o Capitão Planeta igualmente depois de salvar o dia e os Thunder Cats sempre mantendo disposição para combater o "Mal".

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           Mas e One Piece?

           Conheci One Piece assistindo o Anime, o Mangá veio, pra mim, bem depois. Quando maratonei o seriado o suficiente para alcançar o último episódio até então produzido, parti pro Mangá. Isso foi a melhor coisa que fiz. Não sou paciente com fillers e certamente, se partisse para o Mangá desde cedo, teria ignorado os bons fillers do Anime. Iria perder incríveis histórias como o do "Condoriano", em que ri pra caralho).
           No entanto, logo no começo, o que parecia apenas um Anime foda, foi ficando muito foda. Não era apenas uma história sobre um carinha legal e cheia de referência de outras obras. One Piece era uma história cheia de referências do mundo todo. A primeira vez que percebi que o Oda, autor da obra, estava me dando uma lição de moral, sugerindo algo muito maior do que apenas entretenimento, foi na luta de Luffy contra o Arlong, na Saga "Arlong Park".

RACISMO

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             O diálogo inicial da luta final já mostra a correspondência de pensamentos entre Morgan Freeman e o Oda.



            Morgan defende que "ver o outro" sem ver primeiro a cor, rotulando o outro como "negro, branco ou amarelo", faria com que o racismo acabasse, pois, antes, veríamos um ser humano como qualquer outro. Para Morgan, se nos diferenciássemos por detalhes individuais como a altura, o tamanho da barba ou outra característica que não a cor, que é mais genérica, seríamos menos preconceituosos e não nos dividiríamos em classes ou grupos. 
              Da mesma forma, para Luffy, Arlong não é visto como um "Tritão". Antes, ele é visto como "um igual" ao próprio Luffy, que não liga se você é ser humano, dragão, monstro marinho ou morto-vivo. Para o capitão do "Going Merry", as diferenças são no nariz, nas mãos e nos dentes. Nada de "meu grupo, seu grupo". Ele segue nesta linha durante toda a obra. Não importa se Tritão, Mink, Tontatta, Gigante ou humano, Luffy sempre se refere aos personagens por alguma característica peculiar, nunca por raças ou espécies.


SER CAPITÃO DE UM TIME VENCEDOR

Observem esta sequência incrível da luta:






        Luffy é um líder modesto. Sua humildade em se reconhecer falível e deficiente faz com que seus subordinados "se enxerguem" em seu Capitão. Sua liderança está na proximidade com os liderados. Apesar de todos seguirem a "linha mestra" dos Muguiwaras (chegar ao One Piece com justiça, porrada e diversão), ninguém tem que ser perfeito e cada um deve buscar ser o melhor em algo. No caso do "Chapéu de Palha", sua especialidade é "Chutar a bunda" do vilão principal. Como diria o Apóstolo Paulo: "é quando sou fraco que sou mais forte".     
      Na linha inversa, Arlong crê que um líder não pode fraquejar. Admitir não entender de algum assunto é sinal de desonra, é ser um líder sem orgulho. Por incrível que pareça, a idéia do Arlong é a mais propagada entre as pessoas comuns, desde os exércitos, as corporações e até na política. Talvez por isso que Luffy (Oda) sempre surpreenda seu fãs com um discurso impactante.
        A luta finalmente termina após um estímulo emocional em que Luffy, se impacta com o sofrimento que sua companheira Namy sofreu por anos no Parque Arlong. O resultado é o conhecido "plus" de força que o protagonista recebe pra resolver seu combate. Neste ponto, tudo dentro do previsto no estilo "Shounen".
      Mais pra frente, pretendo seguir na ordem cronológica das sagas do One Piece estas mensagens "secretas" do Oda. Nada da moral comum. Minha meta é desvendar as mensagens subliminares que Oda enraiza em seus leitores. Jogando umas ideias meio controversas e gerando discussões (ou não) em seus leitores, percebo que muita coisa passa desapercebida pelo leitor comum.
        É isso, pessoal, até a próxima.










quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A irracionalidade dos extremos

      Recentemente, assisti um compartilhamento no facebook. Duas amigas haviam postado um vídeo da filósofa Márcia Tiburi onde ela fala do fascismo e da burrice das pessoas. Como eu gosto de ouvir as opiniões divergentes da minha (deduzi que seria diferente levando em conta o histórico destas duas amigas), assisti o vídeo.
      De início agradável e racional, a idéia da filósofa passou a ser apaixonada e muito preconceituosa. Não pretendo rebatê-la (como até pensei em fazer na sua página do facebook) porque o brilho das mentes abertas que acreditei haver nela, percebi, não brilha tanto assim.
      Em vez disso, resolvi escrever a respeito do mundo e das pessoas. o resultado é mais ou menos o que está abaixo.

      Quando falamos de um assunto que possui um mínimo de subjetividade, temos, pelo menos, três tipos de pessoas expressando sua opinião: as que concordam plenamente, as que discordam plenamente e as que concordam e discordam em partes. Na maior parte dos casos, senão todos, este último tipo de pessoa é o mais racional. E é assim, porque compreende melhor aquele assunto subjetivo. Vejam que falo de compreensão, não de julgamento.

      Sobre isso, farei um adendo: a ordem certa quando se quer falar sobre algo ou alguém é primeiramente compreender, depois julgar. Primeiramente entendemos as motivações, os fatos. Depois, ao contrapor com nossos valores, julgamos se concordamos ou não. Por isso, fazendo um paralelo com a jornalista do sbt Raquel Sherazade, quando dizemos que algo é "compreensível", não estamos dizemos que concordamos. 
      E como compreendemos um assunto? Quando temos quantidade de informações suficientes para chegar a conclusões razoáveis. Em outras palavras, para compreender algo, precisamos do máximo de informações possíveis, empatia e vontade. Às vezes, temos informação, mas não temos vontade Em outras situações, temos vontade, mas não informações. Tudo isso influencia sua compreensão e, consequentemente, seu julgamento. Por exemplo, se um leigo em mecânica tenta explicar como um avião que pesa toneladas pode voar, ele provavelmente vai falar alguma bobeira. Talvez esta bobeira, se fizer sentido e for convincente, agrade outros leigos, mas sem dúvida, será chocante para um mecânico de aviões. Da mesma forma, se eu quero explicar qualquer assunto, exemplo, Ditadura Militar, eu tenho que ter o máximo de informações possíveis, não apenas as da "metade derrotada", mas isso é outro assunto que exige um post apenas sobre ele.

      Ok, voltemos a questão dos julgamentos.

      O que mais observamos são pessoas que julgam sem compreender. E estas pessoas geralmente se enquadram naqueles dois primeiros tipos que citei: os que concordam plenamente e os que discordam plenamente. São os tipos menos racionais (não menos inteligentes, menos racionais, ou seja, que usam menos sua razão por querer), porém, os que mais aparecem.
      Quando se concorda ou discorda plenamente de algo, você expressa melhor a sua opinião. Você tem menos dúvidas. Você não precisa pensar muito. São as pessoas da #simplesassim. Exatamente por verem o mundo mais preto e branco, seus julgamentos são fáceis e óbvios. O mundo se resume a: meu lado (Bem) e o outro lado (Mal). Um maniqueísmo quase sempre explicado pela Ideologia do Oprimido.
      Por este fato, quando vejo alguém dizer expressões do tipo "fascista" ou "elite branca", a sensação que tenho é a de que falta um pouco de maturidade no comunicador. Quando não, falta de honestidade. Se você chama alguém de fascista, está centralizando no outro todos os males do totalitarismo, repressão e violência. Praticamente anulando a possibilidade de defesa do outro. Vemos isto o tempo todo. Lembro que, para justificar a Guerra do Iraque, George W. Bush dizia o tempo todo que os EUA deveriam combater "o Mal". Dilma, em sua campanha à reeleição da Presidência do Brasil, clamava sempre que seu partido era o único preocupado com o "social", com a desigualdade, e que os outros eram os "privatizadores", a "elite", etc.
      Machado de Assis, em sua obra "O Alienista", conta a história do Dr Simão Bacamarte que, tomado por boas intenções, busca tratar os loucos de sua terra natal. Com o tempo, o Dr. Bacamarte vê loucura em tudo e todos, interna a maior parte dos cidadãos no manicômio e só pára quando conclui que o único louco é ele mesmo, se internando sozinho. Logo, duvide quando observar pessoas que vêem fascismo, homofobia e racismo em tudo.
      Por isso, faço um chamado à reflexão. Da próxima vez que alguém perguntar sobre um assunto polêmico, responda "depende do ponto de vista". Quando perdemos os outros pontos de vista, também perdemos a capacidade de entender o próximo. Isso chama-se burrice.


domingo, 20 de dezembro de 2015

Exercícios ocasionais


Olá, não sou tão bom neste negócio de desenho quanto eu deveria. Mas eu já rabisquei um pouco por aí. Começo minhas postagens com um desenho que fiz da minha esposa.
Cara, gosto muito de desenhar. Por enquanto não passa de uma habilidade inútil. Mas vai que um dia eu tenho tempo pra fazer um curso e tudo mais?