Não há vergonha em alguém falar que gosta de desenhos, animes e mangás nos dias de hoje. Adultos falam isso em qualquer roda de amigos e não causa estranheza alguma. Afinal, os filmes de Super-Heróis (DC e Marvel) são tão bem feitos e tem tão milionário orçamento que o produto final é sempre uma película de "tirar o chapéu". Quanto aos Animes e Mangás, eles nunca tiveram tantos títulos e tanta liberdade criativa quanto nos tempos atuais. Antigamente, era uma dificuldade pra encontrar e comprar algum mangá numa banca de revistas de Teresina, por exemplo, ou assistir algum OVA se não fosse transmitido na TV aberta (tempos difíceis mesmo).
Naqueles tempos de trevas (talvez até hoje), as pessoas tinham enorme dificuldade de entender o porquê que a gente gostava tanto destas histórias em quadrinhos. A verdade é que as histórias de heróis sempre fascinaram o público masculino (sem preconceito com as mulheres, mas a nossa psiquê sempre tendeu mais à necessidade de nascer especial, ser corajoso, ser um herói, moldar e ajustar os erros do mundo apenas com a força dos braços). Logo, histórias em quadrinhos e mangás sempre priorizavam este público, embora houvessem excelentes Animes como "Sailor Moon", filmes legais da heroína "Patrine" na antiga Tv Manchete e as séries como a que me deixou apaixonado pela "Xena, a princesa guerreira" no Sbt .
Sou desta geração que comprava revista e escondia de todo mundo pra não ser considerado um idiota completo. Mas gostava tanto, que colecionei tudo o que pude por 16 anos, tendo muito material de 1997 a 2013. De lá para cá, somente títulos mais avulsos. Comecei comprando revistas do Batman a R$ 2,50 e, quando já estavam todas na casa dos R$ 20 e poucos, tive que selecionar melhor o que comprava. Sinceramente, me cansei de gastar muito dinheiro com histórias ruins, divididas em vários capítulos e não-canônicas (sem falar as que estragavam minha admiração pelos personagens, nunca perdoarei).
Enfim, vamos ao que interessa. O que sempre me fascinou nestas histórias, além de enredo e traços (Mestre Shingo Araki, como você era foda! O anime de CDZ virou outro com você) era a moral da história.
A Moral dos desenhos sempre foi seu ponto forte, assim como as fábulas buscam ensinar e levar a reflexão sobre assuntos sérios. Víamos os "Conselhos de He Man" ao final de suas histórias, o Capitão Planeta igualmente depois de salvar o dia e os Thunder Cats sempre mantendo disposição para combater o "Mal".
Mas e One Piece?
Conheci One Piece assistindo o Anime, o Mangá veio, pra mim, bem depois. Quando maratonei o seriado o suficiente para alcançar o último episódio até então produzido, parti pro Mangá. Isso foi a melhor coisa que fiz. Não sou paciente com fillers e certamente, se partisse para o Mangá desde cedo, teria ignorado os bons fillers do Anime. Iria perder incríveis histórias como o do "Condoriano", em que ri pra caralho).
No entanto, logo no começo, o que parecia apenas um Anime foda, foi ficando muito foda. Não era apenas uma história sobre um carinha legal e cheia de referência de outras obras. One Piece era uma história cheia de referências do mundo todo. A primeira vez que percebi que o Oda, autor da obra, estava me dando uma lição de moral, sugerindo algo muito maior do que apenas entretenimento, foi na luta de Luffy contra o Arlong, na Saga "Arlong Park".
RACISMO

O diálogo inicial da luta final já mostra a correspondência de pensamentos entre Morgan Freeman e o Oda.
Morgan defende que "ver o outro" sem ver primeiro a cor, rotulando o outro como "negro, branco ou amarelo", faria com que o racismo acabasse, pois, antes, veríamos um ser humano como qualquer outro. Para Morgan, se nos diferenciássemos por detalhes individuais como a altura, o tamanho da barba ou outra característica que não a cor, que é mais genérica, seríamos menos preconceituosos e não nos dividiríamos em classes ou grupos.
Da mesma forma, para Luffy, Arlong não é visto como um "Tritão". Antes, ele é visto como "um igual" ao próprio Luffy, que não liga se você é ser humano, dragão, monstro marinho ou morto-vivo. Para o capitão do "Going Merry", as diferenças são no nariz, nas mãos e nos dentes. Nada de "meu grupo, seu grupo". Ele segue nesta linha durante toda a obra. Não importa se Tritão, Mink, Tontatta, Gigante ou humano, Luffy sempre se refere aos personagens por alguma característica peculiar, nunca por raças ou espécies.
SER CAPITÃO DE UM TIME VENCEDOR
Observem esta sequência incrível da luta:
Luffy é um líder modesto. Sua humildade em se reconhecer falível e deficiente faz com que seus subordinados "se enxerguem" em seu Capitão. Sua liderança está na proximidade com os liderados. Apesar de todos seguirem a "linha mestra" dos Muguiwaras (chegar ao One Piece com justiça, porrada e diversão), ninguém tem que ser perfeito e cada um deve buscar ser o melhor em algo. No caso do "Chapéu de Palha", sua especialidade é "Chutar a bunda" do vilão principal. Como diria o Apóstolo Paulo: "é quando sou fraco que sou mais forte".
Na linha inversa, Arlong crê que um líder não pode fraquejar. Admitir não entender de algum assunto é sinal de desonra, é ser um líder sem orgulho. Por incrível que pareça, a idéia do Arlong é a mais propagada entre as pessoas comuns, desde os exércitos, as corporações e até na política. Talvez por isso que Luffy (Oda) sempre surpreenda seu fãs com um discurso impactante.
Na linha inversa, Arlong crê que um líder não pode fraquejar. Admitir não entender de algum assunto é sinal de desonra, é ser um líder sem orgulho. Por incrível que pareça, a idéia do Arlong é a mais propagada entre as pessoas comuns, desde os exércitos, as corporações e até na política. Talvez por isso que Luffy (Oda) sempre surpreenda seu fãs com um discurso impactante.
A luta finalmente termina após um estímulo emocional em que Luffy, se impacta com o sofrimento que sua companheira Namy sofreu por anos no Parque Arlong. O resultado é o conhecido "plus" de força que o protagonista recebe pra resolver seu combate. Neste ponto, tudo dentro do previsto no estilo "Shounen".
Mais pra frente, pretendo seguir na ordem cronológica das sagas do One Piece estas mensagens "secretas" do Oda. Nada da moral comum. Minha meta é desvendar as mensagens subliminares que Oda enraiza em seus leitores. Jogando umas ideias meio controversas e gerando discussões (ou não) em seus leitores, percebo que muita coisa passa desapercebida pelo leitor comum.
É isso, pessoal, até a próxima.
